quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Somos mesmo poeira cósmica?


O planeta Terra é uma aberração universal! Chocante, mas verídico. Nós somos uma mistura de vários elementos, certo? Pois bem, elementos mais leves (estima-se 73% de hidrogênio, 25% hélio e 2% de átomos pesados) foram, de fato, criados no Big Bang, fase esta denominada nucleossíntese primordial. Mas como todos sabem este mundo não é formado essencialmente por H e He. De acordo com a porcentagem citada, fazemos parte dos 2% restantes, correto? Não. Estes elementos pesados criados no Big Bang não passam do Lítio! Isso mesmo, aquele atomozinho de massa sete na tabela periódica. Esse processo primordial é interrompido no Li, pois, com a expansão do Universo, sua densidade e sua temperatura decrescem rapidamente, não sendo suficientes para novas reações envolvendo núcleos mais pesados. Pasmem; esse processo durou 1000 segundos. O Universo continuou assim até 380 mil anos - data estimada para o surgimento das primeiras estrelas.
As estrelas, tão bonitas e brilhantes no firmamento; quem diria que elas são a chave para nossa existência! Fred Hoyle diria (criador desta teoria em 1957). Hoyle, num golpe de genialidade, percebeu que se houvesse uma forma instável de carbono não observada anteriormente, criada a partir de três núcleos de hélio, ela poderia durar tempo suficiente para agir de “ponte”, permitindo a criação de elementos mais elevados. No centro das estrelas, essa nova forma de carbono, ao acrescentar sucessivamente mais nêutrons e prótons, poderia durar exatamente o tempo necessário para que fosse possível criar elementos além dos de número de massa cinco e oito. No entanto, nem mesmo o núcleo das estrelas era quente o bastante para cozinhar elementos além do Ferro. Bom, já alguma coisa chegar até o Fe. Esta fase foi testada e comprovada, e ficou conhecida como nucleossíntese estelar.
Hoyle conseguiu esquematizar uma bela parte do processo, mas não bastava. Precisava de um forno maior, um forno capaz de exercer uma força gigantesca a ponto de impedir a repulsão dos prótons nos núcleos. O único evento suficientemente intenso para tal colapso é a morte de uma estrela – uma supernova. Visto que trilhões de graus podem ser alcançados nos últimos estágios desta imensa explosão. Dessa forma, comprova-se que a maioria dos elementos além do ferro foram, de fato, lançados de atmosferas de supernovas. Para terminar a trilogia universal: nucleossíntese interestelar.
Seus argumentos foram tão precisos, poderosos e persuasivos que toda a comunidade científica da época foi obrigada a reconhecer que Hoyle havia decifrado este incrível quebra-cabeça. Então, da próxima vez que você comparar os olhos de sua namorada com as estrelas, vá além; diga que os olhos dela são a morte de uma estrela!

8 comentários:

  1. "diga que os olhos dela são a morte de uma estrela!"
    ashuashuash demais cara, essa tiradinha valeu toda a informação que eu não digeri durante a leitura, apesar de ser uma riquíssima fonte de dados.

    É bom ver que tu segue muito bem tua proposta inicial!

    Abração, rapaz!

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Muito bom!
    Pensando nessas coisas começo a me sentir muito pequeno. E adoro!

    Astronomia é O exercício de humildade.

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  4. Muito interessante ler isso. Mas o que mais me chamou atenção foi a veia poética, "diga que os olhos dela são a morte de uma estrela!" Tu tá muito bom, cara!

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  5. No universo há 5x mais matéria escura que matéria comum, certo? Se alguns gigantes gasosos do sistema solar (como júpiter e saturno) "capturassem" matéria escura por efeito gravitacional, partículas dessa matéria poderiam se chocar contra eles aquecendo-os acima do normal.Em virtude disso,gostaria que dissertasse sobre a Matéria Escura no próximo post, já que falaste sobre 'aumento da temperatura' e quando li acabei por me recordar de tal assunto. Otimo blog, arauto da astronomia juvenil ;)
    Bj, Jú
    =*

    propaganda: http://myplushrag.wordpress.com/

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  6. Vamo atualizá essa bagaça, divulgador da ciência! Sinto falta! haha :p

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  7. E ai Jonas!
    Uma boa pedida para próximo post seria a descoberta do Grafeno, não achas?
    Abraço.
    Max.

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